GREVE GERAL NA FRANÇA

9 09 2010

6 & 7 de setembro de mobilizações de trabalhadorxs francêsxs

militantes do novo partido anticapitalista


Três milhões de pessoas na rua num dos países emblemáticos da “justiça social”, nesse 7 de setembro. O argumento da crise financeira levantado pelo poder pra justificar as amplas reformas do sistema de aposentadoria (que obrigaria os trabalhadores a trabalhar ou pelo menos cotizar até os 62 anos, e até os 67 anos pra receber uma pensão completa) tem servido de encoberta pra acentuar as pressões e limitações dos direitos sociais. Uma crise financeira que nem todos sentiram, mas que os assalariados com certeza sofreram: demissão em massa, estagnação dos salários, precaridade alarmante, aumento do desemprego… Mas o Poder gestionário do sistema capitalista e todos seus defensores e servidores continuam defendendo seus interesses, na realidade, os interesses privados, o aumento do lucro, a continuidade das dominações econômicas, políticas e sociais.
Depois do grande escândalo e as advertências de risco do desmoronamento do sistema mundial, chegou o grande chamado ao sacrifício… pra todxs? Claro que não! Prxs trabalhadorxs. Redução dos gastos públicos, reforma do sistema de aposentadoria, reforma e redução de gastos em Educação, regulação do capitalismo segundo a moda do FMI; só soluções bonitas apresentadas como garantias da coesão social: fazer trabalhar mais e mais aquelxs que correm risco de reclamar.
As reformas e a diminuição de gastos em Educação revoltam em tempos de começo de ano escolar. Poucos professores, salas super-lotadas, péssimas condições materiais de ensino e situação precária dos professores são só algumas das lutas em questão. No mesmo contexto destas mobilizações, somam-se os protestos contra a expulsão e deportação de pessoas originárias da Romenia, com o argumento da política de segurança do país. Um discurso xenófobo e racista, duramente criticado por muitxs.
A greve geral, que foi convocada pela grande maioria dos sindicatos, foi uma vitória em termos de manifestantes. Se foram dois dias de greve, a mobilização de rua se concentrou no segundo dia (na terça). Pra obter uma mobilização maior, os sindicatos já organizam a próxima, que provavelmente será num fim de semana, com o fim de reunir muitxs mais militantes (particularmente familiares dxs trabalhadorxs) –o que sem dúvida questiona a utilidade e o impacto da greve, pois nos fins de semana estes serão bem menores.

O CAPITALISMO SE APOSENTA! GREVE GERAL


A maior mobilização foi na capital, Paris, onde se concentrou aproximadamente 10% dos manifestantes. Mas o protesto também esteve presente nas regiões, e algumas cidades reuniram o dobro de manifestantes do que na última mobilização nacional de junho. Rapidamente os “líderes” sindicais declararam que o governo não poderia continuar ignorando os protestos e as críticas em relação às reformas, e que este deveria por tanto reagir.
No entanto, a resposta imediata do governo foi dizer que não dariam um passo atrás com a reforma, anunciando um simples matiz na reforma mas mantendo os pontos mais controversos. Numa postura de negociações, o partido socialista e outros sindicatos afins reivindicam o diálogo entre confederações e o governo, assim como a união de todos os sindicatos e partidos de “esquerda” (união da qual se excluem os de esquerda radical e anarquistas). A heterogeneidade do movimento parece ser no entanto um possível problema: algumas organizações se mostram dispostas a abandonar a mobilização se o governo ceder em alguns pontos. Por outro lado os sindicatos mostram objetivos muito diferentes uns dos outros, desde os mais reformistas que procuram algumas adaptações, até aqueles mais radicais que exigem a retirada do projeto.
Por isto, ante a organização de uma nova mobilização, surge a questão estratégica da união da suposta “esquerda”, e, mais importante ainda, uma reflexão sobre o impacto das negociações no estímulo ou desestímulo das mobilizações. Se a oposição é, por enquanto, firme, as pressões do patronado sobre xs trabalhadorxs e os sindicatos continuam.
Longe dos discursos e debates de especialistas, permanecem as evidências: as riquezas não desapareceram, mas ainda estão concentradas nas mãos de uma minoria. Os déficits públicos são criados e reforçados pela exoneração de cotizações do patronado, e pelas fraudes massivas realizadas por empresas. A evidência das lutas é latente, e acabaram os tempos de diálogo social onde os que perdem são sempre os mesmos. A força social se impõe com as suas exigências, e a força dxs trabalhadorxs está nos números e nas capacidades de bloquear a produção de riquezas que deleita o patronado.
"TODOS E TODAS EM GREVE NO 7 DE SETEMBRO!!"
Greve não é palavrão, é um direito e a única forma de ser realmente ouvido. Ela tem que ser o ponto de convergência das lutas, e a solidariedade tem que ser a palavra de ordem!
Pela (re)construção de um sindicalismo intransigente, que saiba opôr a solidariedade dxs trabalhadorxs à violência patronal, que saiba privilegiar o empoderamento dxs salariadxs nas lutas, em vez de delegar as vozes! Se organizar, e destruir, pra construir!

Paris, 07 de setembro de 2010
Amanda Hureau


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