“QUANDO OS DE BAIXO SE MOVEM OS DE CIMA CAEM!”

29 01 2012

Nota pública dos Anarquistas de Pernambuco acerca do Movimento contra o Aumento da Tarifa.

Em reportagem de 24.01.2012 do portal Folha de Pernambuco, “Protesto termina com confronto violento entre polícia e manifestantes” [http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arquivos/2011/outubro/0268.html], entrevistas atribuíram “aos anarquistas” a continuidade das manifestações na Avenida Conde da Boa Vista. Sobre esta falácia e falta de sensibilidade com a maioria de manifestantes independentes, temos algumas considerações:

* Não se pode irresponsavelmente taxar uma maioria que se agrega a um ato de “anarquista” só porque esta maioria agiu fora das linhas definidas por algumas organizações. Este raciocínio pretende associar desorganização a Anarquismo de maneira grosseira e deliberada, se aproveitando do senso comum em torno do termo para deslegitimar o grupo resistente e fazer anti-propaganda ideológica. Um desrespeito a uma corrente histórica do Socialismo que, apesar de obscurecida, possui princípios bem definidos [autogestão, classismo, democracia de base, federalismo]. Não ter partido não é sinônimo de ser anarquista. Além disso, afirmações deste gênero são manobra para se eximir da responsabilidade de continuar na manifestação e garantir a segurança mínima dos que se agregaram ao protesto, bem como um rótulo posto à força em quem não tem filiação ideológica. É preciso coragem, e não cartilhas, para resistir.

* Nós, anarquistas de Pernambuco, não estamos à frente, tangendo nem dirigindo. Não partilhamos da concepção VANGUARDISTA de fazer política. Não estamos nem à frente nem atrás, mas ombro a ombro com aqueles que de fato estão construindo as manifestações, a partir das bases, como povo. Afinal, se queremos compartilhar como companheiros, como iguais, como iguais devemos nos portar. Não é ético nos destarcamos da grande massa e nos utilizarmos dela para controlá-la, não verdadeiramente promovendo princípios e ideais, mas grupos e entidades, ou até pior: auto-promovendo-se. Não precisamos de chefes. Nâo precisamos de donos. Temos o direito de participar. De decidir. E isso se faz junto, não à parte. Devemos reivindicar não apenas as pautas do movimento, mas nosso DIREITO DE PARTICIPAÇÃO. Claro: com responsabidade. Mas a responsabilidade deve ser partilhada, deve ser coletiva, como coletivo é o ato. Pois como diz aquela velha máxima, “um povo forte não precisa de chefes”.

* Damos total apoio ao movimento contra o aumento das passagens por ver nele uma resposta popular aos desmandos de Eduardo Campos que age como ditador do alto de seus 82% de aprovação nas eleições. É dele a violência, não daqueles que se manifestam. Não devemos confundir desobediência civil e ação direta com “caos” e “bagunça”. Afinal, por que o ato daqueles que tão-somente paralisam vias de trânsito (desarmados e tendo como anteparo seu próprio corpo) é tido como “violento” quando, do outro lado, a polícia responde com truculência, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e abuso de autoridade?

* Ao contrário de alguns oportunistas, não é nossa pretensão fazer de um movimento popular palanque e trampolim político visando as eleições que estão às portas. Não nos enganemos: alguns daqueles que hoje levam bala de borracha nas manifestações são os que amanhã fazem do parlamento carreira e profissão, estorquindo o povo com salários astronômicos de 5 digítos. Ao nosso ver, o foco de todos deve ser, de fato, barrar o aumento, além de retirar as rédeas das mãos do punhado de 5 ou 6 famílias que privadamente mandam no transporte “público” viário da Região Metropolitana. Quem luta por esse objetivo está do lado do movimento e do povo.
É direito inalienável nosso a livre manifestação tanto de idéias quanto de repúdio às arbitrariedades daqueles que, “em cima do trono”, fazem da cidade uma praça de guerra. O dever de todos neste momento é lutar junto àqueles que reivindicam prerrogativas básicas como a de ir e vir ou a de simplesmente dizer “basta”. Façamos coro para tirarmos os direitos do papel e transformá-los na prática em realidade.

Pois a cara feia da polícia é a verdadeira face do Estado e do Governo Eduardo Campos.

Vamos à luta contra o aumento!
Pelo Passe Livre!
À frente os que constroem o Poder Popular!

Assinam:
Coletivo Anarquista Núcleo Negro
Difusão Libertária


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One response

30 01 2012
Soraya Marques

Que tipo de governo é esse que usa do poder para oprimir, aniquilar ,e violentar o ideal do cidadão..

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