Como caminhamos em 2013

19 01 2014

Breve retrospecto de 2013 e inspirações para 2014

Iniciamos o ano que passou com a divulgação do nosso segundo calendário anual. A confecção desta peça é um intento propagandístico de datas importantes para o anarquismo no Brasil e no mundo. Afinal de contas, ou contamos nossa história, evitando que seja esquecida, ou ninguém contará. Apesar da pequena tiragem (300 cópias), tivemos a satisfação de fazer seu lançamento no X Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas  – ELAOPA  que aconteceu de 23 a 25 de janeiro, no Rio Grande do Sul.

O trabalho de agitação seguiu com a consolidação da I Jornada de Pedagogia Libertária.  Além de ser um evento em memória do educador e militante catalão  Francisco Fèrrer Cartaz Jornada Io evento tinha como objetivo contribuir para fomentar a discussão sobre a pedagogia libertária no âmbito do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Realizado em parceria com o Diretório Acadêmico de Pedagogia (Gestão 2013), a Jornada foi organizada em cinco atos, que aconteceram entre dezembro de 2012 e abril de 2013.  Todas as discussões foram registradas na perspectiva de subsidiar a publicação de um livro. Mas disto falaremos mais adiante.

Entre os meses de abril e outubro, após o fim da I Jornada de pedagogia libertária, nos dedicamos ao trabalho de produção, editoração, diagramação e confecção do livro “Diálogos em Pedagogia Libertária – Memória da I Jornada de Pedagogia Libertária” (R$10,00), trabalho realizado a muitas mãos em parceria com a  Livrinho Editora.

Exif_JPEG_422Esta é uma parceria que há de se consolidar ainda mais através de outros textos. Este primeiro livro, além de ser nossa primeira publicação, totalmente autoral e coletiva, é um importante registro da Jornada. Nos dá a certeza de que estamos trilhando um bom caminho para a consecução dos nossos objetivos de agitação cultural e propaganda anarquista.

Ainda no âmbito das articulações e parcerias, festejamos o reestabelecimento do contato com a Editora Achiamé, nos possibilitando voltar a difundir seus títulos.  Mas amargamos o fato de termos o nosso e-mail hackeado, o que dificultou uma série de projetos e atividades que estavam em andamento.  Mas já retomamos as atividades com todo o gás! Enquanto preparávamos o livro a ser publicado, também nos debruçávamos sobre a realização da I Feira de Cultura Libertária de Recife – FLIB que aconteceu no mês de novembro.

A principal motivação do evento foi criar um espaço de encontro para o intercâmbio de ideias e articulação de ações entre coletivos e indivíduos. Foi um encontro pioneiro com a participação de pessoas e grupos do Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Pernambuco. A concretização da Feira foi resultado da ação conjunta dos coletivos Difusão libertária, Recife Resiste e o LAMA (Laboratório de Mídias Autonômas) e da contribuição de todxs que propuseram atividades, como apresentações artísticas, rodas de diálogo, oficinas, exposições de livros e materiais, etc. Todxs juntxs somos verdadeirxs realizadorxs deste encontro que praticamente funcionou como exercício de autogestão e trabalho cooperativo.

No sábado, dia 12, a Feira de Cultura Libertária iniciou na Praça Osvaldo Cruz, aproximadamente às 15h. A programação teve como abertura a apresentação do hip hop combativo de Camaragibe (Mano Legal) e  Caetés (RapAcuzado). Às 16h ocorre a primeira roda de diálogo intitulada: “A urgência das ruas – as manifestações no Brasil sob um olhar libertário”, contando com a participação de militantes da Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ, Organização Resistência Libertária – ORL, Coletivo Libertário Delmirense – COLIDE e Núcleo Negro, todas organizações integrantes da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB. Na sequência aconteceram a partir das 18h, 3 rodas de diálogo simultâneas: “Permacultura : resistência e viabilidade”, coordenada por Nara,  “Psicodelia, sagrado e subversão: o renascimento arcaico como alternativa ao capitalismo” coordenada por Heitor, e “Feminismo e o enfrentamento ao machismo no meio libertário”, com coordenação coletiva. Nesta tarde foram lançados o “Manifesto da Mulher Libertária Militante” e “Diálogos em Pedagogia Libertaria”, coletânea de textos que documentam a 1ª Jornada de Pedagogia Libertária, organizada pelo Difusão Libertária – DL. No final da noite, encerrando a programação do primeiro dia, foi realizada uma mostra de vídeos pelo Recife Resiste – RR.

flib2

No domingo, 13, a Feira aconteceu na Rua do Sossego no Espaço Cultural do Antigo bar Irak. A programação iniciou às 11h com uma oficina de Culinária Vegetariana, com coordenação da Dhuzati cozinhas do mundo e Soulfly. No decorrer da tarde foram realizadas várias oficinas: um oficina de produção de livros artesanais realizada pelo Coletivo Imprensa Marginal do Rio Grande do Norte; uma oficina de Serigrafia, coordenada pelo coletivo “Eu Declaro Meu Inimigo”, hoje “Trampo…”, e a oficina “Rachamacho: uma estratégia de combate ao heterocapitalismo”, coordenada por Akuenda. Na sequência, aconteceram simultaneamente as rodas de diálogo: “O Especismo e a Ideologia Vegana”, coordenada pelo Ativeg e a oficina de “Mídia e Comunicação Autonôma”, coordenada pela Rádio Cordel Libertário e pelo LAMA.

flib4

Acreditamos que esta primeira edição da Feira de Cultura Libertária do Recife cumpriu sua função no tocante a propiciar um espaço de articulação de coletivos e indivíduos interessadxs nas diversas expressões de cultura libertária, construção que ainda está em estágio embrionário quando falamos de nossa região Norte/Nordeste. Desse modo, a Feira nos surpreendeu positivamente pela quantidade de companheirxs que se fizeram presentes para fortalecer esta primeira iniciativa. Foi possível criar um lugar para vivenciar e compartilhar nossos princípios, experimentar uma atmosfera de cooperação, um momento para debates, ora mais acalorados, ora mais tranquilos…

post1

Colhemos os frutos de uma preparação de várias semanas e tivemos como culminância do processo de construção da Feira dois dias intensos de trabalho coletivo. Certamente, nem tudo aconteceu como foi planejado, inclusive algumas atividades não foram realizadas. É bastante compreensível que pela inexperiência da primeira realização tenhamos demonstrado algumas falhas, permitido a presença de lacunas, que posteriormente buscaremos evitar tais como: uma programação relativamente extensa, não cumprimento do horários indicado das atividades, quantidade dias do evento, desafios na comunicação entre pessoas e coletivos, infraestrutura, etc. Isso não retira a força do encontro, sua importância como foco de convergência dxs libertárixs da cidade e da região. É necessário vislumbrar os potenciais que a FLIB possui de fortalecer os laços de cooperação, fazer convergir as ações e lutas, de disseminar a ideia anarquista, de permitir um ponto de encontro entre perspectivas libertárias distintas para um debate franco, de contribuir para a construção de um movimento libertário forte e combativo. Em vista disto, olhamos para o futuro projetando, desde já, as próximas edições e reedições da Feira de Cultura Libertária de Recife.

Para 2014, esperamos seguir construindo, produzindo, publicando, agitando de propagando!

#1


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: