Ação Direta! Simples assim.

4 05 2016

Lançamos, no último dia 30 de abril (sábado), na Marcha Antifascista do Recife, a primeira edição do nosso informativo, Ação Direta.

Disponibilizamos aqui o  Ação Direta 1 em versão digital. O nome, bem…Um princípio gerador da luta anarquista, uma palavra de ordem, uma sugestão sempre válida e, na atual conjuntura, indispensável, urgente.  – Ah, mas é batido, repetitivo… podem dizer. Nós reforçaríamos: É universal!

Basta uma rápida pesquisa em qualquer ferramenta de busca da internet, que inúmeros jornais, informativos e revistas anarquistas de mesmo nome irão surgir na sua tela. Pois se é o princípio da coletividade que rege a ação na luta, nasce mais um veículo de agitação e propaganda anarquista, para se juntar aos tantos outros de ontem e de hoje.

Boa leitura!

AD

História…

No Brasil, conforme aponta o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa, o mais conhecido e difundido jornal de nome Ação Direta, circulou durante 13 anos, foi editado de “1946 a 1959, tornando-se um centro aglutinador do anarquismo e de anarquistas no período”. Sua distribuição teve maior abrangência, segundo a mesma fonte, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Dentre seus militantes estavam os anarquistas Juan Peres, José Oiticica, Roberto das Neves, Ideal Peres.

Segundo Milton Lopes e Rafael Viana, o referido jornal já repetia o nome utilizado anteriormente em outro periódico editado por José Oiticica de 1928  a 1929.

O que é da nossa história, nos pertence!

Ação Direta Hoje!

Ação Direta Sempre!

 





Marcha Antifascista 2016

22 04 2016

Convocada para o dia 30 de abril (sábado), a Marcha Antifascista 2016 está confirmada em 20 cidades de quinze estados brasileiros.

“A luta contra o fascismo é a luta pela liberdade!

Contra o racismo, o sexismo, o capital e toda Autoridade!

Alerta! Alerta Antifascista!”

mapa 3

A Marcha Antifascista é um esforço coordenado a partir de diversos coletivos e indivíduxs de esquerda, e vem sendo gestada ao longo dos dois últimos anos. Porém, em algumas cidades será realizada pela primeira vez este ano, como no caso de Recife/PE.

É um ato pela vida e pela liberdade, que ganha mais fôlego e urgência diante do atual cenário da política institucional brasileira e internacional, no qual posições de extrema direita tem ganhado força em diversas proporções, desde a ascensão de partidos políticos nazifascistas na Europa, passando pela bancada evangélica, machista e racista do congresso nacional. Atmosfera que tem sido propícia ao aparecimento ou ressurgimento de facções reacionárias.

Contribuir para barrar este avanço é o objetivo da Marcha Antifascista hoje e sempre. Daí que uma das palavras de ordem seja: SOMAR PARA O FASCISMO SUMIR!!

A marcha é um espaço para todas as pessoas e coletivxs dispostxs a somar esforços nesta luta cotidiana e, além do Antifascismo, possui duas premissas importantes, a de que “A Marcha Antifascista não é palanque” e que  “A Marcha Antifascista é suprapartidária“.

Reproduzimos abaixo a convocatória oficial do ato.

Recife - EP

ALERTA!

Uma onda de intolerância vem ganhando força nos últimos anos. A disputa política de partidos pelo poder reflete o que existe de pior em extremos da sociedade: o fascismo.

O povo pobre está sendo atacado, os trabalhadores e trabalhadoras, os estudantes, as mulheres, os lutadores e lutadoras do nosso dia-a-dia em todas as esferas. Movimentos sociais estão sofrendo ataques, sedes sindicais, organizações populares, centros estudantis.
Isso é o traço claro do fascismo. A meta é destruir a mobilização popular e promover a intolerância. Foi assim no passado aqui no Brasil e em todo o mundo.

Os ataques não estão restritos no âmbito político, com leis conservadoras e que prejudicam as liberdades. Esses ataques se propagam nas ruas, diariamente, violentamente. E eles têm aval do Estado conservador, através de um sistema que só julga e criminaliza o nosso povo.
Propagam ódio contra imigrantes, contra homossexuais, contra os negros, contra nordestinos, contra movimentos de esquerda com ou sem partido político.

Qual a importância de uma mobilização antifascista?

Estamos à beira de um caos em todas as esferas. A onda reacionária toma conta da opinião pública através de uma mídia irresponsável e intolerante, propagando e banalizando posicionamentos que atacam as liberdades e se refletem na política e nas ruas.

Precisamos organizar e mobilizar as bases populares. Formar uma unidade da luta antifascista para barrar a onda intolerante e violenta. Precisamos unir todos e todas que já estão se articulando diariamente e somar com quem ainda não entendeu a importância de identificar o mal que é o fascismo.
O lema é: “somar para o fascismo sumir”.

Só com uma mobilização em unidade poderemos organizar frentes populares e que visam a conquista de um mundo melhor. O momento requer uma frente única antifascista que demonstre força e organização.
Assim como os antifascistas se uniram no passado para derrotar o integralismo (fascismo disfarçado), chegou o momento de voltarmos pras ruas em peso. Nossa luta não tem fronteiras.

Não queremos promover a violência, mas sim marcar a nossa posição firme contra qualquer ataque às liberdades. Organize na sua cidade, mobilize seus amigos e familiares. Promova a articulação diretamente das bases populares, como sempre foi. Uma mobilização em massa será importante para criar uma força popular organizada e preparada para resistir aos ataques que estão por vir em todas as esferas.

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Lista dos Eventos: Localize sua cidade ou estado

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SÃO PAULO – SP
https://www.facebook.com/events/1010129882413085/

GUARULHOS – SP
https://www.facebook.com/events/614782358676057/

ITAPETININGA – SP
https://www.facebook.com/events/275359379462031/

CAMPINAS – SP
https://www.facebook.com/events/747875335347715/

PORTO ALEGRE – RS
https://www.facebook.com/events/1694917530765363/

JUAZEIRO – BA
https://www.facebook.com/events/450744705120900/

FLORIANÓPOLIS – SC
https://www.facebook.com/events/1040503036022340/

BRASÍLIA – DF
https://www.facebook.com/events/106107796454099/

RECIFE – PE
https://www.facebook.com/events/200531813649811/

BELEM DO PARÁ – PA
https://www.facebook.com/events/953438244774725/

FORTALEZA – CE
https://www.facebook.com/events/1691618841087363/

MACEIÓ – AL
https://www.facebook.com/events/494835360716783/

SALVADOR – BA
https://www.facebook.com/events/1720387341509096/

NATAL – RN
https://www.facebook.com/events/682255158582788/

CURITIBA – PR
https://www.facebook.com/events/192534994464700/

RIO DE JANEIRO – RJ
https://www.facebook.com/events/745269638906324/

GOIÂNIA – GO
https://www.facebook.com/events/1686674144919802

BELO HORIZONTE – MG
https://www.facebook.com/events/1051394844897180/

LONDRINA – PR
https://www.facebook.com/events/220895148275084/

Se sua cidade não está na lista, então se organize com seus amigos e crie a marcha em sua cidade!

A marcha é organizada de maneira horizontal e popular, apenas auxiliamos na divulgação e criação de panfletos para que possam imprimir e distribuir

►MUDE SUA FOTO DE PERFIL: http://twibbon.com/Support/marcha-antifascista

Marcha Antifascista – 2016

fonte: Ação Popular





O monopólio do Estado no ensino

12 04 2016

“Não basta reconhecer que a escola atual é ruim. Nos interessa demonstrar que somos capazes de torná-la melhor”.

Capa do nº1 de Out_1912Texto de Julio R. Barcos, Publicado em La Escuela Popular, Periódico da Liga de Educación Racionalista, Argentina. Publicado em 1º de outubro de 1912.

JBarcosJulio Barcos (1883-1960) foi um anarquista e educador argentino, fundador da Escola Moderna de Buenos Aires (1908), e um dos fundadores da Liga de Educação Racionalista (1912) ao mesmo tempo em que desempenhou o papel de inspetor, visitando escolas estatais argentinas, monitorado e avaliando suas condições de funcionamento. Estava, ainda, entre xs fundadorxs da Internacional do Magistério Americano (1928).

O monopólio do Estado no ensino

O Estado, fiel aos princípios especuladores da sua conservação, tem se apoderado da direção e administração da instrução pública.

A educação da Juventude tem sido, nas etapas modernas da civilização humana, uma preocupação neutralizadora do progresso encarregada de afirmar o poder das instituições constituídas, consagrando os erros do passado, e erguendo sobre o pedestal da tradição e da rotina, em um monumento absurdo, as cegueiras e as injustiças do presente. Por isso, o Estado que sempre foi uma entidade abstrata que absorve todos os direitos individuais, reduzindo a zero o indivíduo quando assim o exige seu absolutismo metafísico, se apossou da Educação.

Qual foi o pretexto? Dar uniformidade de objetivo à obra Educacional do país: ” fazer patriotismo”, o que não é o mesmo que fazer “pátria”, antes e ao contrário, é coisa muito oposta.

A outra razão é de caráter econômico. Distribuir por igual os benefícios do ensino a todas as crianças. Mas como a obra oficial é sempre deficiente, venal e egoísta, e como o estado é péssimo administrador do dinheiro público, em que isto resulta na prática?

Em que a escola estatal não educa: não Forma a personalidade do futuro ser apto a liberdade para a ação pessoal na luta pela vida e pelos ideais da vida mas, ao contrário, engana a inteligência infantil, deprime, embrutece, fragmenta, humilha a alma da juventude que frequenta as suas aulas. Isto no que diz respeito ao seu efeito moral. Enquanto aos seus benefícios materiais, é de todo modo falso que satisfaça as necessidades da população escolar.

Não apenas existe nesta república, por exemplo, meio milhão de crianças que não desfrutam da chamada “educação gratuita”, como dois terços dos demais a recebe em péssimas condições, não apenas pedagógicas, se não que de higiene, pois centenas de escolas da campanha argentina estão localizadas em locais apenas úteis para cocheiras. E isto em um país que se engrandece muito de sua opulência econômica.

Aqui está, pois, como o Estado, órgão de classe que obedece em todas as suas gestões aos interesses das minorias dominadoras, fracassa enormemente desde o ponto de vista científico, social e humano no seu imperialismo educacional. Mais ainda: aqui está como se impõe a necessidade de conjurar o grande perigo que entranha a causa da liberdade e da razão, o monopólio estatal do ensino.

O problema da educação é um problema pedagógico-social de fundamental importância para a existência social contemporânea. De acordo com a educação que dermos à nossxs filhxs, teremos preparado: ou o advento da luz, da liberdade e da justiça, ou a perpetuação do erro, da dor e da tirania.

É olhando, então, desde o cume dos fenômenos sociais e não desde o claustro da pedagogia, esse instrumento do melhoramento humano, que se chama escola, como deve encarar o povo estes assuntos.

A educação popular é esforço combinado das massas pensantes que sonham sonhos de redenção, e dxs professorxs, que são xs operárixs da inteligência, quando levantam com fé e independência a bandeira de seus ideais educativos, poderão salvar a causa da educação.

Este é o século destinado a consagrar no mundo, o direito dos fracos, a felicidade dos humildes. A mulher, a criança, os pássaros, as árvores: tudo o que constitui o sal e o regozijo da vida, o perfume e o encanto da terra, a luz e o sorriso dos céus. E o povo, que é na verdade muito mais que nossos famosos príncipes da arte, o grande lírico por excelência, o incurável Quixote do ideal, o eterno e grande poeta em ação, será o encarregado de abrir para o porvir todos os anseios novos, que por serem grandes e altruístas, são também fortes e belos.

Em todos os lugares onde o povo tem se apressado a intervir com sua iniciativa e sua vontade na educação de seus filhxs, a obra educacional tem alcançado um progresso enorme. Entre nós, apenas uma minoria seleta tem sentido paixões idealistas pelo ensino. Mas a ação conjunta dessa minoria pode, em pouco tempo, criar ambiente propício na opinião pública a favor das escolas livres do povo, que o povo mesmo fundará e sustentará dentro de pouco tempo neste país, para seu próprio benefício.

Não basta reconhecer que a escola atual é ruim. Nos interessa demonstrar que somos capazes de torná-la melhor. Tal é o fim generoso e grande que hoje une xs fundadores desta liga popular de educação racionalista e que desejamos fazê-la extensiva para toda a República.

Tradução livre por S.N.

Sugestões, críticas e correções via comentário ou pelo email: difusaolibe@gmail.com





Educação de Anarquistas: ontem e hoje!

6 04 2016

Este é o tema da 1ª Jornada de Educação Libertária, que acontecerá entre os dias 17 e 20 de Maio , em Pelotas/RS.

O Difusão Libertária saúda às companheiras e companheiros do Grupo de Estudos em Educação Libertária, de Pelotas/RS e demais pessoas envolvidas na organização e realização deste evento.

No texto a seguir, a organização do evento discute e provoca sobre do tema central, além de convidar a participar do evento.

Inscrições e maiores informações no site do evento: http://jeduliber.wix.com/educacaoanarquista

Boa leitura!

Jornada de Educação Anarquista

Quando nos referimos a Educação Libertária, imediatamente nos remetemos à uma filosofia política que a fundamenta que é o Anarquismo. O adjetivo Libertário foi dado pelos anarquista à Educação que eles se propuseram a realizar.

            Para pensar/analisar o que foi e o que é a Educação Libertária é fundamental ter em conta o seu caráter plural e diversificado de ideias e práticas que se unificam em alguns princípios gerais como a Autogestão, o anti-autoritarismo, a ação direta e o apoio mútuo. A partir desses pressupostos éticos, encontraremos um conjunto de múltiplas experimentações que foram realizadas no passado e que são realizadas no presente pelos anarquistas.

            Mas como  seria possível um anarquista, com toda a carga negativa que este conceito teve e ainda tem, ser um educador? Se a anarquia foi e continua sendo para muitos, sinônimo de caos, baderna e rebeldia, o que uma educação feita por anarquistas ensinaria? Essas perguntas acompanharam e acompanham a Educação Libertária e anarquista até hoje. Assim como a pergunta existiu uma Educação Anarquista? Como foi? Existe hoje uma educação narquista? Como é? E a resposta mais coerente que podemos encontrar talvez seja a de que a educação dos anarquistas teve, em toda sua bela história (ainda pouco conhecida na academia) por objetivo exatamente formar indivíduos libertários, rebeldes, ou seja, espíritos livres capazes de se rebelar contra tudo que ameace sua liberdade. Motivo pelo qual, em uma sociedade da ordem como a que predomina na contemporaneidade, esse tipo de educação necessariamente torna-se perigosa e, portanto, inaceitável. Principalmente para todos aqueles que objetivam com a educação exatamente o contrário do que buscam os anarquistas, ou seja, a formatação de indivíduos disciplinados, obedientes às leis, passivos e tementes a todo e qualquer tipo de autoridade. Adestrados para integração ao moedor humano que se chama civilização industrial.

            O fato é que, se a palavra grega ἀναρχος, anarkhos, significa “sem governantes”, ela  tornou-se, sinônimo de caos, baderna, desordem e rebeldia. Todavia, coetâneas a essa interpretação encontraremos, ao longo da história, ideias e comportamentos que afirmaram o seu sentido positivo, antagônicos a esse determinismo, fruto do pensamento e da ação de indivíduos que não aceitavam nenhum tipo de autoridade que não fosse a sua própria.

            Portanto, a Anarquia como ideia e o Anarquismo como prática, bem mais do que elementos de uma filosofia política, ou doutrina ideológica, consistem de um ethos, um comportamento, uma forma de vida, ou  como diz Tomás Ibañez um movimento e, portanto, um vir a ser, um devir, algo em permanente transformação. Por isso, para se referir ao anarquismo/anarquia seja necessário sempre falar no plural. Ou redefini-lo sempre, dado que, como afirmou Émile Armand, o anarquismo nada mais é do que um procedimento para se chegar ao mais além…

            Mas o que significaria esse mais além na ética/procedimento anarquista? Mais além do quê? Talvez do mundo em que se vive. Mais além do homem que se é; de como se vive no mundo. Poderíamos, portanto, encontrar nesse ethos libertário anarquista o espírito livre e o Único de Stirner?  Ou o super-homem extemporâneo de que nos falava Nietzsche? Talvez algo mais simples, mas não menos significativo, que se aproxima mais da definição de Émile Armand de que o primeiro anarquista foi aquele que deliberadamente reagiu contra a opressão de um ou de alguma coletividade.

            Dessa forma, ao olharmos para nossa sociedade moderna, fundamentada no autoritarismo e na  opressão  de uns sobre os outros,  podemos dizer que é possível reconhecer alguns destes tipos humanos, os anarquistas, seja no passado ou no presente, que reagiram e reagem a essa lógica e que também como portadores de uma Ideia, encontraram na educação uma importante ferramenta para a reprodução de seu ideal de vida e de ser humano.

            Inconformados, espíritos livres, revoltados, revolucionárias, visionários, utópicas e rebeldes, enfim, libertários. Assim foram denominados esses tipos humanos desde a antiguidade, tais como Sócrates, Diógenes, Epicuro, passando pela Renascença com Rabelais, Erasmo de Roterdã, Montagne, chegando no Século das Luzes com Willian Goodwin, posteriormente Stirner e encontrando finalmente, na segunda metade do Século XIX, um tipógrafo rebelde francês de nome Pierre-Joseph Proudhon que tornou-se o primeiro à autodenominar-se anarquista. Proudhon, como um dos pais do pensamento anarquista moderno, positivou um conceito historicamente negativo efundou uma Filosofia Política. Deu um sentido novo a um ethos libertário, caracterização  corroborada por Sebastien Faure quando definiu como anarquista todo aquele que nega a autoridade e luta contra ela. A partir daí novos rebeldes reivindicaram para si não só o título de anarquista, mas a prática de um comportamento antiautoritário, baseado no livre agir e pensar.

            Podemos encontrar as origens de uma proposta de Educação Libertária a partir da crítica de Willian Godwin à nascente proposta de educação obrigatória estatal do iluminismo. Posteriormente  Proudhon e Bakunin  elaboram os conceitos de Educação politécnica e Instrução Integral, respectivamente.  Proposições que serão implementadas no final do século XIX e inicio do XX,  por Paul Robin, o primeiro pedagogo anarquista; pela experiência da Educação Libertária camponesa de Tólstoi,  a  Colmeia de Sebastién Faure e a Escola Moderna de Francisco Ferrer, que se tornaria o paradigma da Educação Anarquista em várias partes do mundo.

            Essas ideias de Educação Libertária chegarão ao Brasil trazidas por muitos anarquista que compunham a massa de operários imigrantes europeus que chegam ao país como mão de obra da nascente industrialização capitalista. Sem escolas para seus filhos e para si próprios,  os anarquistas, a partir de seus sindicatos organizam os Ateneus e Escolas Modernas como ação direta e autogestionária no campo da Educação. Constroem assim as primeiras experiências de Educação Popular nas duas primeiras décadas do Século XX. Um feito pioneiro que permanece ainda desconhecido pela historiografia oficial sobre educação.

            De norte a sul do país operários, sindicalistas, escritores, jornalistas, poetas, homens e mulheres se convertiam em educadores libertários anônimos e desconhecidos ainda hoje. Fundadores de Escolas Modernas como João Penteado em São Paulo; educadoras como Maria Lacerda de Moura e as libertárias gaúchas como Malvina Tavares, natural de Encruzilhada do Sul, professora, poetisa e anarquista, pioneira do método de educação de Francisco Ferrer, foi educadora de uma geração de libertários gaúchos atuantes no nascente sindicalismo gaúcho; as Irmãs Martins, professoras da escola Moderna ; Zenon de Almeida, sapateiro, intelectual, jornalista e teatŕologo, que atuou em Pelotas com Victor Russomano entre os anos de 1914 a 1919,  fundando jornais operários, Grupos de Teatro ,Ateneus e Escolas Livres;  Djalma Fetterman, operário, poliglota e filósofo autodidata foi o  fundador da Escola anarquista Élise Reclus em 1906(a primeira escola anarquista do país) e a  Moderna de Porto Alegre em 1917 . Lemabramos ainda Leopoldo Bettiol, Florentino de Carvalho, entre muitos outros.

            Todavia, passados quase cem anos dessas experiências educacionais libertárias e o seu   desaparecimento após um processos de repressão brutal aos anarquistas em todo o século XX e posterior predomínio do controle da educação pelo Estado, presenciamos nestas primeiras décadas do século XXI o ressurgimento de ações culturais-educacionais realizadas por grupos e coletivos libertários expressos em novas práticas para além das instituições estatais de ensino. Que experiências são essas? Qual a relação que mantém com os pressupostos da educação libertária do passado? Onde se encontam? Quem são os anarquistas que as realizam?

           É sobre a ação Educacional dos Anarquista no passado e no presente que o GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA & ANARQUISTA – GPEL&A da UFPel, realiza nos dias 17, 18, 19, 20 a 1 Jornada de Educação Libertária de Pelotas.

             Esta atividade é  realizada no âmbito da Pesquisa Memória, teorias e práticas de Educação Libertária no Rio Grande do Sul, da Universidade Federal de Pelotas.

            Tem por objetivo resgatar essa memória perdida ou esquecida da educação realizado por anarquistas, pioneiros da Educação Popular bem como conhecer as experiências e processos realizados hoje pelos anarquistas em seus espaços autogestionários como as Okupa, as bibliotecas Libertária, comunidades de aprendizagem que retomam esse ethos libertário no processo de construção de saberes chamado Educação.

          Convidamos a todXs a participar dessa Jornada de troca de saberes sobre a Educação Libertária de ontem e de hoje.





CONVOCATÓRIA} I CONGRESSO INTERNACIONAL DE PESQUISADORES SOBRE ANARQUISMO

6 04 2016
Entre os dias 26 e  28 de outubro de 2016, será realizado o I Congresso Internacional de Pesquisadores sobre Anarquismo, na Argentina.
Abaixo, segue convocatória oficial da organização do evento.
congressoBuenos Aires
Convocatória
 
 
Embora dentro do arco das esquerdas o anarquismo tenha despertado sempre um constante interesse, recentemente nas últimas décadas a pesquisa acadêmica sobre o tópico tem tido um crescimento visível na diversidade das suas aproximações temáticas e metodológicas. Ao mesmo tempo, a recente organização das bibliotecas e os arquivos militantes gerou uma nova disponibilidade de fontes documentais estendida globalmente pelos meios digitais. Além disso, na mesma direção e nos diferentes países do mundo, a aparição das renovadas coleções editoriais libertarias tem dado lugar a uma importante circulação de textos, que buscou promover não só uma releitura histórica do seu itinerário ideológico, mas também um reinstalar-se nos debates e nas lutas contemporâneas.
O comitê organizador do I Congresso tem vivenciado de perto este processo, tanto na pesquisa quanto no ativismo, a edição, o arquivo e a docência. Grande parte dos seus integrantes levou adiante os cinco Encontros de Pesquisadores sobre Anarquismo, com seus programas é possível ilustrar este crescimento: em 2007, nós éramos apenas um punhado ao redor duma mesa até que, no ano 2015, aquelas mesmas jornadas transbordaram a sala do CeDInCi com dezenas de dissertações de várias cidades e países.

Esperamos que um primeiro congresso de caráter internacional nos ofereça a possibilidade de alcançar um maior contato entre os pesquisadores e, ao mesmo tempo, permita-nos manter as praticas de leitura mútua e discussão coletiva que caracterizaram as anteriores edições de nossos encontros.

Com essa finalidade, convida-se aos pesquisadores, professores e estudantes a participar do I Congresso Internacional de Pesquisadores sobre Anarquismo organizado em conjunto pelo Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas (CeDInCI-UNSAM) e o Instituto de Altos Estudios (IDAES-UNSAM) em Buenos Aires, nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016.
Comitê Acadêmico

Dora Barrancos (Argentina, CONICET), Joel Delhom (Université deBretagne-Sud), Sergio Grez Toso (Chile, Universidad de Chile), Clara Lida (México, Colegio de México), Rodolfo Porrini (Uruguay, FHuCE/Universidad de la República), Agustina Prieto (Argentina, Universidad Nacional de Rosario), Margareth Rago (Brasil, Universida de Estadual de Campinas), Daniel Vidal (Uruguay, FHuCE/Universidad de la República), Juan Suriano (Argentina, IDAES/UNSAM), Horacio Tarcus (Argentina, CeDInCI/UNSAM, CONICET).
Comitê Organizador

Martín Albornoz; Luciana Anapios; Fernanda de la Rosa; Lucía di Salvo; Lucas Domínguez Rubio; Laura Fernadez Cordero; Fermanda Losso; Ivanna Margarucci; María Miguelañez Martínez; Armando Minguzzi; Pascual Muñoz; Adriana Palomera; Huascar Rodríguez García, Sebastián Stavisky.
Cronograma

Envio de resumos: até 15 de maio de 2016.
Envio de relatórios: até 17 de julho de 2016.
Os resultados da avaliação e a cofirmação das dissertações a fazerem parte da programação do Congresso serão informadas a partir do dia 15 de agosto de 2016.
Contato
http://congresoanarquismo.cedinci.org/
programainvestigaciónanarquismo@cedinci.org
https://www.facebook.com/ICongresoAnarquismo




Lançamento de Livros Anarquistas na Feira PUBLIQUE-SE!

22 10 2015

A Feira PUBLIQUE-SE é uma das atividades que compõem a programação da primeira edição do PUBLIQUE-SE! Festival de Publicação Independente, que teve início no dia 27 de outubro e encerra com a realização da Feira nos dias 31 de outubro e 01 de novembro de 2015.

Segundo a organização do evento O Festival surge como uma oportunidade diante do grande crescimento da publicação independente no Brasil, das também crescentes dificuldades de posicionamento de mercado que enfrentam as pequenas editoras e da importância dessas editoras para a bibliodiversidade.

O Festival PUBLIQUE-SE em sua programação contempla atividades de formação, debates, palestras, oficinas, como estratégia para suprir necessidades e demandas enfrentadas por editoras independentes. Delas para elas! Além de exposição e a Feira.

Nós do Difusão Libertária – Coletivo de Agitação e Propaganda Anarquista, estaremos presente na feira divulgando nossas publicações, bem como de editoras anarquistas parceiras e aproveitando para lançar o nosso mais novo material: Educação Anarquista em Foco: Experiências e Paradigmas (DL, 2015, 107p.).

DL 03 - Educação Anarquista em Foco - Memórias da 2ª JNDA

Além deste novo titulo, estaremos expondo outros dois lançamentos de nosso coletivo o Diálogos em Pedagogia Libertária  (DL- 2013,75p.) e uma coletânea de textos da Anarquista Emma Goldman, intitulado A Anarquia e a questão do sexo & Outros Escritos ( DL – 2014, 100p.), todos construídos por muitas mãos e com a colaboração de companheiras e companheiros, indivíduxs e coletivos, num exercício de aprendizagem mútua.

DL 02 - A Anarquia e a questão do sexo & outros escritos - Emma Goldman

DL  01 - Diálogos em Pedagogia Libertária - Memórias da 1ª JNDA

Evento: Feira PUBLIQUE-SE!

Datas e horários: 31/10, das 10h às 20h e 01/11/2015, das 10h às 18hs
Local: Praça D’Armas do Museu da Cidade do Recife. que fica no seguinte endereço: Praça das Cinco Pontas, s/n – São José, Recife – PE, 50020-500, Brasil

Serão 24 editoras de diversas partes do país. Vamos nessa!





Círculo de Estudos – Um novo bloco

21 09 2015

A partir de 30 de setembro (quarta) as atividades do Círculo de Estudos Anarquistas serão retomadas, agora em um bloco temático sobre educação.

Cartaz Circulo de estudos

Este é o 4º encontro do Círculo de Estudos, mas o primeiro da temática Educação. A temática foi escolhida em virtude da realização da 3ª Jornada de Pedagogia Libertária, que acontecerá entre os dias 13 e 16 de outubro de 2015, as inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento. Uma espécie de aquecimento.

Este bloco temático será composto por três encontros e quatro textos, sendo eles:

PAUL ROBIN – educação integral ok – 30/09
BAKUNIN – A Instrução Integral – 07/10

E fechando o bloco dia 21/10 :

Gallo- PEDAGOGIA LIBERTÁRIA- PRINCIPIOS POLITICO-FILOSOFICOS

Gallo- O Paradigma Anarquista em Educação

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O primeiro bloco, foi realizado em três encontros e teve como temática: Anarquismo uma introdução e os textos podem ser acessados aqui!